
Terça-feira, Agosto 11, 2009
CONFESSAR UM DIA

Sexta-feira, Julho 17, 2009
A PÉROLA MAIS APETECIDA

Quinta-feira, Julho 16, 2009
SILÊNCIO PENOSO

Quarta-feira, Julho 15, 2009
ESTÁDIOS DO ENTENDIMENTO

Quarta-feira, Outubro 15, 2008
NÉSCIOS, TALVEZ
Quarta-feira, Outubro 01, 2008
DEPOIS DE SETEMBRO
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
CRUZAMO-NOS
Quarta-feira, Agosto 27, 2008
COPAS FLUTUANTES
Quinta-feira, Agosto 21, 2008
VERDE E CASTANHO
Assim, sentes que nada te apetece e que não pertences a lado nenhum. Faseias o verde e o castanho e entrevês o que foi, o que já não existe. Algo está naquele lugar de memórias, de nostalgias em que te revês: cheiro de cravos e de flores de laranjeira, zumbidos de abelhas, vozes sussurrantes... ali, onde tiveste de tomar algumas das mais fulcrais decisões da tua vida. De verde e castanho se revestem essas imagens desestruturadas por longínquos sons motorizados, como se de um poema de Álvaro de Campos se tratasse. O tempo pode conseguir esbatê-las, mas não desmoroná-las, essa capacidade em ti reside. Outros tons de verde e castanho, outros temperos de cinza, terra, tijolo. Imorredoiros os que são senhores da tua nostalgia, ao alcance de um toque, de um rememorar...ainda te pertencem.
Eh-lá o interesse por tudo na vida,
Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras
Até à noite ponte misteriosa entre os astros
E o mar antigo e solene, lavando as costas
E sendo misericordiosamente o mesmo
Que era quando Platão era realmente Platão
Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,
E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.
Álvaro de Campos
Segunda-feira, Agosto 18, 2008
FIESA 2008
Quinta-feira, Agosto 14, 2008
EVOLANDO-ME


Dois dos sítios onde estive, foram o Palácio Nacional de Mafra e a Tapada, também de Mafra.
Aquele Palácio pulula de história, desde D. João V a D. Carlos, que pelos vistos foi quem mais dele usufruiu, assim como também da Tapada de Mafra, ou não fosse ele um exímio caçador. Segundo o guia do percurso, necessitava que lhe colocassem o animal na mira de um tiro certeiro, só às vezes... Depois de no ano transacto ter visitado o Palácio de Sintra, pergunto-me, de que é que o nosso rei D. Carlos e a sua excelsa esposa, a rainha D. Amélia, não usufruíram avantajadamente? O iate, as louças, a arte...Esqueci-me de dizer que antes também tinha visitado o Aquário Vasco da Gama e o nosso rei D. Carlos também anda por todo o lado. Não nego a história, todos são unânimes em o considerar um homem de cultura e riqueza intelectual exorbitantes, um verdadeiro patrono.
Eu queria mesmo era falar do Palácio Nacional de Mafra. Comecei pelas enfermarias, gostei de recuar alguns séculos atrás e sentir o aroma das mezinhas dos frades que por ali orbitavam, não devia ser fácil a vida do frade boticário... Evoquei também uma das cenas do filme Ligações Perigosas, inspirado na obra homónima de Laclos. Aquele momento em que Madame de Tourvel é sangrada, morrendo com a culpa.
Por todos os salões desfila a arte, exuberância e cultura nacionais. A minha predilecção circunstancial foi para a sala dos troféus. Paredes imensas repletas de uma extraordinária profusão de hastes. Muitas delas troféus do rei D. Carlos que exercia os seus dotes na Tapada de Mafra. No final, não podia terminar sem uma incursão na loja. Muito pouco alusiva a motivos do palácio, era mais do género generalista.
Terça-feira, Julho 15, 2008
SIM...TALVEZ...

Era ela naquele momento, diáfana, atraente, murmurava e estendia-me a mão, acreditei. Era crédula. E agora? Essa capacidade ter-se-á perdido? Será o fruto inóspito de uma qualquer confluência trocada pelos nunca lineares caminhos de uma hipotética crença? Talvez um dia, talvez uma hora feliz…
Quinta-feira, Julho 03, 2008
CONHEÇO O SAL
Quinta-feira, Junho 19, 2008
DISSOLUÇÃO

Humanista é uma pessoa com grande interesse pelos seres humanos. Meu cachorro é humanista.
Kurt Vonnegut Jr.
Quarta-feira, Maio 28, 2008
TIAGÃO

Descendente de honrados lavradores, em cuja casa abonada de adega, lagar e forno de lenha a povoação gostava de aparcar, não havia dia que não se apresentasse perante os compinchas da universidade de dentadura resplandecente e em riste. O segredo da felicidade do mocinho, por vezes contagiante, não estaria, superficialmente, ao alcance dos menos atentos. Perante a exasperação dos colegas de quarto, Tiagão fazia questão de organizar a roupa de todos, desaprovava a sordidez de posicionamento de objectos, botas enceradas de lama ou poeiras. Era tudo espanejado, não sem antes lançar alguns esgares jactantes de repúdio, visto ser homem de poucas, mas boas palavras. Diziam os entendidos que era a herança do tio… Sim, Tiagão era sobrinho do padre da sua aldeia…dizia que desde tenra idade conhecia todas as cansativas e estonteantes lides da árdua e pouco mundana vida eclesiástica, desde o confessionário, passando pela sacristia, entrando durante a visita pascal em todos os fogos da povoação, aflições paroquiais e paroquianas. Bem tentavam os mais malandrecos puxar evocações queirosianas do imberbe padre Amaro, mas sem resultados práticos, Tiagão, de tão discreto, nunca se descosia.
À parte os afazeres, tendencialmente domésticos na residência estudantil, o maior deslumbramento, e a explicação do nome por que era conhecido, acontecia nos bares e discotecas que frequentava com os amigalhaços do peito. Era vê-lo a actuar entre as moçoilas …apenas trocava olhares e monossílabos acompanhados de um lamber de beijos trepidante, roçava -se e roçavam-no pela pista, estava o engate feito, nem havia lugar a troca de nomes ou telefones. A canção do engate coraria perante tais manobras, mais escaldantes que as possíveis na casa branca, acho que vi esse filme. Com a passagem do tempo, as suas investiduras iam de vento em popa, a sua dentadura resplandecia mais do que nunca. No ginásio, até turistas o levavam para os hotéis em busca de mais exercício físico. O pessoal pasmava…aquilo não era coisa que só se revelasse lá na Madeira, seria a maleita da insularidade? Não…aquilo o rapaz trazia no pelo, naquela aldeiazinha transmontana deviam ser levados da breca…
Até que um dia, ei-la, Perpétua…
Era uma mocita pálida, sardenta, nariguda, magricela, de formas assimétricas, todos pensaram…mais uma aventura…e desta vez tabulada mais por baixo. Mas, Perpétua e Tiagão pareciam ter colado, em todo o lado, quando o pessoal o convidava e se preparava para uma noite de alta performance, lá estava ela…tornando impensável qualquer golpada…Águas corriam e correram debaixo da ponte, um dia veio o golpe de misericórdia, aquele que atingiu o pessoal bem lá no alvo: Tiagão e Perpétua iam casar. Podia lá ser? O pessoal beliscou-se para ver se não tinha sido apanhado de surpresa no final de mais uma noite de moina…
Mas, para descanso do pessoal, foi prometida uma despedida de solteiro, durante a qual Tiagão foi testado aos limites e objecto de inúmeras apostas…todas perdidas no momento em que ele pediu a outro colega que fosse o alvo do Table Dance que haviam decidido oferecer-lhe e se despediu da stripper que lhe atiraram para o regaço.
As parcas iam tecendo das suas, primaveras iam e vinham. Já no continente, o pessoal saudosista gosta de rememorar numas jantaradas regadas com boa vinhaça aqueles velhos tempos. Actividades ao ar livre também fazem parte do cardápio… Tiagão foi interpelado para uma simples tarde de lazer…A resposta chegou do outro lado da linha, curta como era sua prelecção, mas também lacónica…
- Não posso, tenho de estar na minha sogra às duas horas em ponto. Ela vai ao cabeleireiro e eu tenho de ir com o caniche à tosquia.
Diz-se que está tão amestrado como o caniche branco da sogra, fofo e de pelo aparado, aquele que Perpétua segura pela trela…




